terça-feira, 2 de março de 2010

Continuando... #2

Walter e Patrícia eram ricos, e, não sei se você conhece gente rica, mas eles geralmente são um saco.

Uma pessoa normal, ao ganhar um Jegue e uma rapadura, iria agradecer, comer a rapadura e doar o jegue para alguém, e pronto. Mas, gente rica, muito rica, como Walter e Patrícia não, eles acham que ganhar um jegue e uma rapadura é coisa exótica, deve ser a última moda em Paris, por isso já ficam querendo achar significados e tudo o mais. Nessa hora a mulher já fica pensando em se gabar para as amigas “Aaai, sabe, esses dias eu ganhei de uns primos meus um jegue e uma rapadura, coisa finíssima. Veio direto do sertão” e o homem pergunta porque diabos não mandaram uma cachaça também.

Acontece então, que o nosso simpático e idiota casal tentou aceitar o presente com a maior naturalidade, entregaram para os empregados guardarem e chamaram os primos para sentar na sala de estar e tomar chá em xícaras que valem um carro, como esses ricos fazem.

“Ah, então primo, que bom que você veio, e ainda trouxe um burrinho e um tijoliinho!”

“Que burrinho muié? Ta falando do jegue é?”

“Ah, haha, mas que modo engraçado de chamar o animalzinho” Ela riu, com aquele ar de gente rica, enquanto segurava a xícara com o dedinho levantado.

“E tamém né tijolinho não uai! Aqui lá é rapadura, doce quinem um mel”

“Ah, puxa, que delícia”

“E, diga ai primo, não tinha alguma cachaça lá não?”

“Óia, cê é burro homi? Eu so do sertão, não de Minas, é em Minas que tem cachaça. O que, vai mi dize que quiria um quejin tamém?”

Walter riu sem graça, e pensou “foda-se, minha adega está cheia de vinhos milionários que eu nunca beberei mesmo, quem precisa de cachaça”.

Então a conversa foi se desenrolando naturalmente, Patrícia pensava que aquele choque de culturas poderia ser muito interessante e que poderia aprender muito com aquilo, o resto da sala já estava com fome mesmo.

Desenrolou-se de tal forma, que acabou recaindo novamente nos presentes.

“Diga primo, e você gostou da ambrósia que te mandei?”

“Ah, gostei muitu sim. Mas, é sobre ela que eu quiria fala”

“Então diga primo”

“É qui é u siguinte, acho que cê sabe que minha casa, na verdadi, era um barraquin né? Ai foi qui eu fui pindura o diacho di Ambrósia nu teto, a casa num guento e caiu..”

“Ou, puxa, sinto-me horrível por isso” Patrícia só não sabia se estava mesmo triste e culpada, ou se disse isso apenas porque era uma mulher fina elegante e rica.

“Poizintão, dirrubo tudin lá, só sobro esse jegue a aquela rapadura mêmo, então, já qui agente é primo mêmo, eu vim aqui mais a muié pra mora cocês ué! Óia o tamanhão dessa casa só pa duas pessoa!”

E foi assim que aconteceu o choque de culturas mais duradouro e traumático da vida do simpático e milionário casal.

Mais milionário do que simpático, obviamente.

***

Teema da Marcella: Amaciante.

3 Tensos passaram por aqui.:

Ninaaa . disse...

Que final trágico :O
HISUHIASUHIASUHISUAHSAUIHIASUHIS
sério, até agora não sei oq é ambrósia.
Beeeijos

Marcella Leal. disse...

AMBRÓSIA NÃO É AQUELE DOCE DE OVO RUIM PRA CARAMBA?

kkkkkkkk eu ri de mais do seu final e lá vou eu falar sobre amaciante.

Beeijo!

Calem-se Dedos ! disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK'
aii doreeeeii *o*
amanciante ? kero ate ver' hoho
UIOAUEOAIUEOAIE
bjs bjs :*