quarta-feira, 24 de março de 2010

Seu Joaquim, Seu Neto Jorginho e as Ervilhas

Sentado no sofá, com sua habitual cara de treta, o velho e insuportável patriarca daquela família declamava mais um de seus discursos para seus netos.

Seu Joaquim, há muito conhecido por Seu Unicórnio, pelo fato de estar sempre pronto a dar chifrada em alguém, e por ser tão antigo que muitos ja duvidam de sua existência era um saco. Existem por ai, e isso é fato mais do que comprovado, velhinhos adoráveis, não é o caso do Seu Unicórnio.

Morava sozinho em uma imensa casa na fazenda, onde não fazia nada, apenas mandava os empregados cuidarem do pomar, dos animais e, sobretudo, do lago, onde ia pescar todo santo dia. Mas é óbvio que, ainda assim, se alguém lhe perguntasse, ele diria cheio de orgulho que cuida da fazenda inteira.

Teve com sua esposa, sete filhos e três filhas, com outras mulheres nem ele sabe contar, mas dez filhos ja bastavam para que, aos fins de semana, a fazenda se enchesse de netos, esses mesmos que agora tinha de ouvir o sermão do avo sobre pescaria.

Mas, se ninguém suporta o velho Unicórnio, porque todos vão a sua casa todo santo fim de semana?

Porque o velho, se ainda não ficou claro, é rico. E não é pouco, é muito rico, daqueles podres de rico, tão podres que seus dentes podres ha muito são de ouro, que só come em talheres de prata e que demite os peixes se não pescar nada no dia. Então, como é um homem cheio de empresas, entregou cada uma a um de seus filhos, e esses por sua vez, vão puxar o saco do velho para não caírem na rua da amargura.

Mas o Seu Unicórnio, como todo velho ruim, não é besta, e faz questão de tornar cada fim de semana insuportável, como se a sua presença ja não bastasse.

Voltemos então, a situação inicial, seus netos estão sentados na sala, junto com o Seu Unicórnio que fica falando sobre pescaria. Seria estranho retransmitir aqui o que ele falava porque, como ele sabia que ninguém estava prestando atenção, nem mesmo ele sabia o que dizia. Fazia aquilo apenas para torturar os netos.

Eu disse que seria estranho, mas foda-se. Seu Unicórnio dizia exatamente o seguinte:

“Pra colocar a minhoca no anzol, a ervilha deve estar cozida na ponta da vara, e quando você for tacar tem que tomar cuidado para não enroscar na ponta de remuela do treminhão azul”

Seu Unicórnio, como ja disse, fazia isso porque sabia que ninguém prestava atenção, e então, uma vez sabendo disso, resolveu se divertir um pouco.

“E então, Jorginho, como faz?”

“Como faz o que vô?”

“O que eu acabei de perguntar, moleque idiota”

“Ah vô, tem que pegar a simbisguela e…”

“Pegar a o que?  Não escutei”

“A simbisguela…”

“Ah, continue, e dai?”

“E enroscar na ponta da ervilha”

“Que ervilha?”

“Ah ervilha ué!”

“Eu tenho cara de quem come ervilha? Moleque retardado, tenho?”

“Não Vô”

“E porque não?”

“Porque não tem e…”

“Eu vou te falar quem tem cara de quem não come ervilha, você. Você come ervilha? Moleque idiota”

“Ah, eu…”

“Não, você não come ervilha, e sabe porque? Porque é um imbecil, eu como ervilha, então porque me disse que eu tenho cara de quem não come? Quem não come ervilha é um imbecil, igual a você, eu sou imbecil?”

“Não vô”

“Então porque me disse que sou?”

“Eu não disse vô”

“Você é um idiota, um imbecil, um moleque retardado que não come ervilhas e não sabe usar um boné, arrume esse boné antes que eu o tire com cabeça e tudo, seu fedelho, agora você vai comer só ervilha no jantar, pra ver se larga um pouco de ser tão idiota.”

Jorginho então começou a chorar, e Seu Unicórnio esboçou um leve sorriso que fez seus outros netos estremecerem. Levantou-se e falou que o jantar estava servido. E que era peixe, que ele mesmo havia pescado com a maringuela.

Para ele, havia churrasco.

“Mas Vô, porque você não come peixe também?”

“Porque eu não gosto de peixe, peixe é para pessoas idiotas, por isso vocês sempre comem quando vem pra cá”

Se você não gosta de peixe, então porque você pesca todo final de semana?

“Você é idiota?” Ele falou para Julinha, a sua neta que havia feito inocentemente as peguntas. “É ou não?”

“Não senhor!” ele já falava com os olhos cheios de lágrimas.

“É idiota sim, você é uma menina estupida e idiota, se não fosse, saberia porque não gosto de peixe, basta pensar um pouco, eu ja disse que peixe é para pessoas como você, e eu não sou como você, prova de que você precisa comer peixe é porque me fez essa pergunta. E eu não pesco todo final de semana, pesco todo dia, entendeu? Sua idiota!”

Julinha começou a chorar alucinadamente, Seu Unicórnio mais uma vez riu e sentou-se a mesa em frente a seu churrasco.

Seu Unicórnio era feliz assim, fazendo os outros sofrer.

Vai ver, é por isso que unicórnios não existem.

***

Não sei se ficou engraçado, acho que não, infelizmente, mas enfim, o tema da Jacky é:

Exploração do Proletariado

E a frase:

Mas eu gosto tanto de consumir!

5 Tensos passaram por aqui.:

Gabi Petrucci disse...

Ahn, eu ri mais com o tema da Jacky do que com o texto! :x
HASIUDAHSIHDIASUIDAS

Ariel Augusto ( Japa ;P ) disse...

A jack terá problemas ._.' , eu tb ...

Enfim , ficou legal ^^

Marcella Leal. disse...

Eu demitiria até as ervilhas, ervilhas idiotas e macias, macias e verdes, odeio ervilhas.....na verdade eu gosto de ervilhas -whatever!

Amei o texto Henrique, explorou bem o tema e torturou bem a Jacky, parabéns.

Beijo

Júlia e Rafaella disse...

Seu uicornio eh pior que minha avó '-'. Quem sabe uma senhora unicornio da um jeito nele hm'

Calem-se Dedos ! disse...

FDP ! FII DE QUEEEEEEEEENGA !
pooohaaa henrique !
T.T
a proposito
amei o texto
o vo da umas tirada massa
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

TE MATO :D